O esforço de abraçar tudo sem que deixemos escapar por entre os nossos dedos alguns pedaços é improvável e penoso. Imersos nessa complexidade de dados estamos de certa forma desnorteados, confusos, opacos. Por mais paradoxal que pareça, cremos na necessidade de se engavetar, criar compartimentos, organizar, restringir nossos espaços e, por conseqüência, nossa liberdade, pois é a partir de métodos que talvez possamos sair dessa diversidade inexpressiva.
Ter acesso a tudo de modo difuso e frenético sem que possamos dar a nós mesmos o luxo de saborear os detalhes das partes é recusar o prazer de alongar o tempo. Num projeto simples, tentar organizar informações em gavetas dando à velocidade das redes um freio. É necessário reduzir a marcha, atrasar o tempo e cultivar o que sobrou do fluxo.
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